“A memória é um porão atravancado de objetos perdidos, onde tanto desejaríamos encontrar aquelas coisas que – de tão perdidas – nem sabemos mais o que sejam.”
Mário Quintana – Diário Poético
A década de 1960 ficou marcada na história da então Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), hoje Universidade Federal de Lavras (UFLA), como um período de grandes transformações. A instituição passava por enormes dificuldades financeiras que chegaram ao seu ápice em 1962, ano em que o Instituto Gammon, até então mantenedora da instituição, chegou a anunciar o fechamento da escola.
No ano seguinte, 1963, após mobilização da comunidade acadêmica, da população, de lideranças políticas locais, estaduais e nacionais, a ESAL, diante do potencial da instituição, acabou sendo transformada em uma unidade federal de ensino superior, tendo apenas um curso superior de Agronomia e um técnico em Agricultura, mas sendo, já naquela naquela época, uma referência no país quanto à qualidade de ensino.
Foi um período de renascimento da ESAL em meio a muitas dificuldades financeiras, o que fez surgir internamente um grupo de professores que lutava pela melhoria da escola, imbuídos no espírito de união e comprometimento com a instituição. Deste grupo surgiu a ideia de se criar uma associação de docentes, que foi formalizada em 11 de dezembro de 1967 com a realização da primeira assembleia e definição do professor Tarley Fantazini como primeiro presidente. Nascia assim, a Associação de Professores da Escola Superior de Agricultura de Lavras (ASPESAL).
A APESAL surgiu a princípio com um caráter voltado ao social e ao de confraternização, mas logo assumiu também a função de representar os professores nas discussões sobre temas importantes dentro da ESAL, contribuindo com o crescimento da instituição nas décadas que se seguiram.
Foram anos de atuação permanente e participativa da entidade tanto na vida acadêmica quanto nas ações que contribuiram para o fortelecimento da ESAL, como na condução dos processos de eleição dos reitores, na criação de novos cursos e no próprio processo de transformação da escola em Universidade Federal de Lavras (UFLA), participando inclusive das tratativas em Brasília-DF para que isso ocorresse, um marco na história da universidade que foi formalizado em 15 de dezembro de1994, na gestão do Presidente Itamar Franco. A associação foi a responsável ainda pela iniciativa da criação de Fundação de Apoio, Pesquisa e Extensão (FAEPE), que se concretizou em 16 de julho de 1976, e ainda incentivou a criação da Coopesal e da Crediesal.
Participação no movimento sindical nacional
Durante a gestão do Prof. Eufêmio Steiner Gomes Juste Júnior (1980-1982), quase duas décadas após sua fundação, a ASPESAL iniciou sua integração ao movimento docente nacional, participando, inclusive, da primeira greve da categoria, em 1980, em pleno Regime Militar, que resultou na intituição do Plano de Carreira do Magistério, além de reajuste linear de salários. Participou também da greve de 1981, que incluiu os então chamados Professores Colaboradores no quadro efetivo.
Em meio ao crescimento e fortalecimento do movimento docente, a ASPESAL esteve presente na assembléia para criação da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES), em fevereiro de 1981, na cidade de Campinas-SP, sendo outro marco na história tanto do Sindicato Nacional quando da Associação de Professores da ESAL.

Sete anos mais tarde, em 26 de fevereiro de 1988, na gestão do Prof. Ruy Carvalho (1988/1990), a ASPESAL participou do II Congresso Extraordinário que transformou a associação nacional dos docentes em Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES – Sindicato Nacional).
Nos anos que se seguiram à criação do ANDES-SN, a ASPESAL continuou participando de forma recorrente nas mobilizações e greves da categoria, como as de 1982, 1984, 1985, 1987, 1988, 1989, 1991, 1993 e 1994, ainda como associação, e as de 2001, 2003, 2004, 2005, 2012, 2015, 2016 e 2024, já como Seção Sindical.
De associação à Seção SIndical do ANDES-SN
A transformação da ASPESAL em Seção Sindical do ANDES-SN ocorreu na gestão do Prof. José Tarcísio Lima, em dezembro de 2001, quando a entidade passou a ser denominada de ADUFLA – Associação de Docentes da Universidade Federal de Lavras, num dos momentos mais importantes da trajetória da associação e que redefiniu o papel da recém criada Seção Sindical na defesa de seus filiados e de suas filiadas.
O processo para a transformação da ASPESAL em ADUFLA teve início oficialmente na Assembleia permanente realoizada em 8 de novembro de 2001, com a criação de uma comissão de sistematização e eleborar de uma proposta de regimento para a nova entidade. As associadas e os associados tiveram até 12 de novembro daquele ano para enviar sugestões que resultaram no anteprojeto que foi inicialmente aprovado pelo Conselho Deliberativo da ASPESAL e posteriormemnte encaminhado para a Regional Leste do ANDES-SN, que emitiu parecer jurídico favorável à transformação. A Assembleia Geral de Docentes que oficializou a transformação da entidade teve caráter plebiscitário e foi realiada no dia 29 de novembro de 2001, na Cantina do Campus da UFLA, contabilizando 247 votos a favor e cinco contrários.
Nova sede no campus da UFLA
Cinco anos após a transformação em Seção SIndical, já na gestão das professoras Iraziet da Cunha Charret e Giovana Augusta Torres, presidente e vice-presidente entre 2004 e 2006, na primeira diretoria formada só por mulheres na linha de frente da emtidade, a ADUFLA concluiu a construção de sua nova sede da secretaria no campus da UFLA, após décadas de funcionamento na parte histórica da universidade.

Com uma estrutura mais adequada ao dia-a-dia da entidade e mais próximo das sindicalizadas e sindicalizados, a nova sede inaugurada em dezembro de 2006 como um legado da primeira gestão “feminina” da ADUFLA, fruto do trabalho e do comprometimento de toda a equipe de trabalho e da própria categoria.
Fundação do Clube de Campo da ASPESAL
Remontando a outubro de 1981, na gestão do Prof. Eufêmio, a ASPESAL adquiriu uma área nas proximidades da então ESAL destinada à construção do Clube de Campo da Associação, com o lançamento da pedra fundamental realizada em junho de 1982, durante uma grande festa de confraternização que reuniu docentes, familiares e convidados.
Ao longo das gestões que se seguiram, o Clube de Campo da ASPESAL teve sua infra-estrutura ampliada, consolidando diferentes espaços para o lazer, a confraternização e prática de esportes, tornando-se referência em estrutura e qualidade para sindicalizadas e sindicalizados e também um diferencial da entidade entre as seções sindicais do ANDES-SN.



ADUFLA hoje
Atualmente, a ADUFLA conta com um quadro com mais de mil sindicalizadas/os, entre pessoal da ativa, aposentadas/os e sócias/os especiais, com uma participação ativa nas atividades fins do movimento sindical nacional e do próprio ANDES-SN, com participação em Congressos Nacionais e CONADs, aonde são encaminhadas as deliberações políticas/sociais da luta em defesa das trabalhadoras e trabalhadores do Ensino Superior no país e da classe trabalhadora como um todo.
A ADUFLA abraça ainda pautas caras ao movimento sindical, como a luta contra o racismo e ao assédio moral e sexual, a defesa da igualdade entre homens e mulheres, dos direitos das minorias, dos povos originários e do meio ambiente. Da mesma forma, se solidariza e apoia as causas da categoria discente e também dos Técnicos-Administrativos, realizando inclusive atos e eventos em parceria com essas entidades representativas da comunidade universitária em pautas únicas na defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, da universidade pública e gratuita, entre outras.
Em sua estrutura política e administrativa, a Seção Sindical é regida por uma Diretoria composta por seis integrantes, entre presidente/a, vice-presidente/a, primeiro/a tesoureiro/a, segundo/a tesoureiro/a, primeiro/a secretário/a e segundo/a secretário/a. A entidade também possiu um Conselho Deliberativo formado por cinco membros efetivos e dois/duas suplentes. Todos/as os/as ocupantes são escolhidos/as para os cargos através de eleição direta a cada dois anos, sem a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente.
Em 2027 a ADUFLA completa 60 anos de uma longa trajetória e luta política e de reconstrução da própria identidade enquanto entidade na defesa dos direitos da categoria docente. A associação oferece assessoria jurídica especializada e plano de saúde diferenciado aos/às seus/suas sindicalizados/as, além da promoção de eventos políticos, sociais e de confraternização em seu Clube de Campo, que buscam sempre uma maior integração da classe docente local e das próprias famílias, mantendo a tradição social que deu origem à associação quando de sua fundação.