{"id":5878,"date":"2019-09-26T16:22:25","date_gmt":"2019-09-26T19:22:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufla.org.br\/site\/?p=5878"},"modified":"2021-03-22T22:45:34","modified_gmt":"2021-03-23T01:45:34","slug":"maioria-das-universidades-federais-rejeitam-future-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/noticias\/maioria-das-universidades-federais-rejeitam-future-se\/","title":{"rendered":"Maioria das universidades federais rejeitam Future-se"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Levantamento foi feito pelo &#8216;Estado&#8217; em consultas \u00e0s 63 institui\u00e7\u00f5es; principal temor \u00e9 poss\u00edvel perda da autonomia acad\u00eamica e financeira, uma vez que os contratos de trabalho ou para pesquisas seriam fechados por meio de OSs<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A maioria das&nbsp;universidades federais&nbsp;j\u00e1 decidiu n\u00e3o aderir ao&nbsp;Future-se&nbsp;ou manifestou cr\u00edticas ao programa do&nbsp;Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), lan\u00e7ado em julho. E, at\u00e9 agora, nenhuma institui\u00e7\u00e3o declarou publicamente que pretende participar do projeto que prev\u00ea gest\u00e3o por meio de organiza\u00e7\u00f5es sociais (OSs) no&nbsp;ensino superior&nbsp;p\u00fablico.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito pelo&nbsp;Estado&nbsp;em consultas \u00e0s 63 universidades. Entre as que j\u00e1 decidiram em seus conselhos internos pela n\u00e3o ades\u00e3o est\u00e3o as maiores e mais tradicionais federais, como a de&nbsp;S\u00e3o Paulo&nbsp;(Unifesp), do&nbsp;Rio de Janeiro&nbsp;(UFRJ), de&nbsp;Minas Gerais&nbsp;(UFMG) e de&nbsp;Bras\u00edlia&nbsp;(UnB).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/50510eb178c6749706258dca1b90ee9f.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5884\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/50510eb178c6749706258dca1b90ee9f.jpg?resize=624%2C587\" alt=\"50510eb178c6749706258dca1b90ee9f\" width=\"624\" height=\"587\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/50510eb178c6749706258dca1b90ee9f.jpg?w=624&amp;ssl=1 624w, https:\/\/i0.wp.com\/adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/50510eb178c6749706258dca1b90ee9f.jpg?resize=300%2C282&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Reitores j\u00e1 d\u00e3o como certo que o programa n\u00e3o ser\u00e1 implementado na forma como foi apresentado. No m\u00eas passado, em entrevista ao&nbsp;Estado, o ministro&nbsp;Abraham Weintraub&nbsp;chamou os&nbsp;dirigentes que criticavam o Future-se de \u201cpessoal militante politicamente\u201d&nbsp;ligado ao \u201cPSTU, PSOL, PT\u201d. Para ele, o programa, que tem ades\u00e3o volunt\u00e1ria, contaria com um quarto das federais.<\/p>\n<p>A maior cr\u00edtica das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 uma poss\u00edvel perda da autonomia acad\u00eamica e financeira porque os contratos de trabalho ou para pesquisas seriam fechados por meio de OSs. \u201cN\u00e3o sabemos quais ser\u00e3o os objetivos das organiza\u00e7\u00f5es sociais, os projetos podem passar a estar subjugados ao que d\u00e1 lucro. Que mercado vai querer financiar doen\u00e7as negligenciadas, por exemplo?, questiona a reitora da&nbsp;Unifesp, Soraya Smaili.<\/p>\n<p>Segundo ela, a Unifesp n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria a diferentes formas de capta\u00e7\u00e3o de recursos, desde que &#8220;garantido o recurso p\u00fablico para o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es&#8221;. O documento aprovado pelo Conselho Universit\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o, que abriga a Escola Paulista de Medicina, uma das mais conceituadas do Pa\u00eds, diz que o Future-se \u201cpossui diversas fragilidades e riscos\u201d e por isso \u00e9 \u201cinaceit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Desde o lan\u00e7amento do programa, procuradores das universidades federais t\u00eam analisado as propostas do MEC e chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que elas n\u00e3o t\u00eam sustenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Um dos questionamentos \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 venda de bens p\u00fablicos pelas organiza\u00e7\u00f5es de direito privado. Segundo o documento divulgado pela Federal do ABC (UFABC), o Future-se \u201dprev\u00ea a altera\u00e7\u00e3o de 17 leis\u201d e n\u00e3o deixa claro como isso ser\u00e1 feito.<\/p>\n<p>A ideia central do Future-se \u00e9 a capta\u00e7\u00e3o de recursos pr\u00f3prios pelas institui\u00e7\u00f5es e a gest\u00e3o por meio de OSs. Tamb\u00e9m incentiva&nbsp;naming rights&nbsp;(usar o nome de empresas\/patrocinadores) e busca de dinheiro pela&nbsp;Lei Rouanet, algo que muitas federais j\u00e1 fazem. Outro ponto que os reitores consideram que n\u00e3o est\u00e1 claro \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um fundo para financiar pesquisas e inova\u00e7\u00e3o. H\u00e1 questionamentos sobre a legalidade jur\u00eddica e viabilidade fiscal. O programa prev\u00ea tamb\u00e9m indicadores de metas e governan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesta semana, Weintraub declarou ainda ao&nbsp;Estado&nbsp;que as institui\u00e7\u00f5es que aderirem ao Future-se&nbsp;teriam de contratar professores por regime de CLT&nbsp;(carteira assinada) e n\u00e3o mais por concurso p\u00fablico. Para boa parte dos reitores, a informa\u00e7\u00e3o se tornou mais uma raz\u00e3o para a n\u00e3o participarem do programa.<\/p>\n<p>\u201cO nosso trabalho \u00e9 o oposto, \u00e9 buscar a dedica\u00e7\u00e3o exclusiva do professor para garantir que ele d\u00ea aulas e fa\u00e7a pesquisa\u201d, diz a reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Valeria Correa. A Ufal \u00e9 uma das que ainda n\u00e3o divulgou um documento final sobre o assunto elaborado pelo Conselho Universit\u00e1rio, mas tem criticado o programa.<\/p>\n<p>Outro caso \u00e9 da Universidade Federal do Tocantins (UFT), cujo reitor, Lu\u00eds Eduardo Bovolato, j\u00e1 declarou publicamente que o projeto \u00e9 &#8220;vago&#8221; e que aderir ao Future-se seria um &#8220;mergulho no escuro&#8221;. A institui\u00e7\u00e3o deve decidir, contudo, se ir\u00e1 rejeitar ou aderir ao programa apenas em outubro.<\/p>\n<p><strong>34 universidades federais rejeitaram o Future-se<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem 63 universidades federais. O levantamento do&nbsp;Estado&nbsp;mostra que 53% (34) rejeitam o projeto de alguma forma. S\u00e3o 27 que j\u00e1 decidiram em seus Conselhos Universit\u00e1rios por n\u00e3o aderir \u00e0 proposta e outras sete&nbsp;que ainda v\u00e3o concluir um documento, mas criticam o Future-se. Outras 27 comunicaram que ainda n\u00e3o tomaram uma decis\u00e3o ou que n\u00e3o pretendem se manifestar at\u00e9 que haja um projeto de lei. Duas n\u00e3o responderam aos questionamentos da reportagem e tamb\u00e9m n\u00e3o publicaram qualquer posicionamento a respeito do programa.<\/p>\n<p>O MEC pretende finalizar no m\u00eas que vem o projeto de lei para mandar ao Congresso. O programa passou por consulta p\u00fablica, finalizada no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Questionado pelo&nbsp;Estado&nbsp;sobre as institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 teriam aderido ao programa, o secret\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o superior do MEC, Arnaldo Lima, disse que essa informa\u00e7\u00e3o era confidencial. Depois, afirmou que \u201cformalmente n\u00e3o h\u00e1 quem aderiu ou n\u00e3o ao Future-se,&nbsp;(porque)&nbsp;o projeto precisa primeiro ser aprovado pelo Congresso Nacional\u201d. Segundo ele, \u201c17 universidades est\u00e3o contribuindo ativamente para o aperfei\u00e7oamento do programa\u201d.<\/p>\n<p>Na semana passada, os reitores estiveram em Bras\u00edlia para discutir o programa no Senado. Eles tiveram a garantia de Lima de que o projeto iria considerar as cr\u00edticas e seria apresentado aos reitores antes de ser enviado ao Congresso. No entanto, foram surpreendidos com a entrevista de Weitraub ao Estado em que falava sobre a contrata\u00e7\u00e3o de professores por CLT. A primeira minuta foi feita sem qualquer participa\u00e7\u00e3o das universidades, o que tamb\u00e9m n\u00e3o agradou aos reitores e ainda deixou d\u00favidas sobre v\u00e1rios pontos propostos.<\/p>\n<p>O reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rui Vicente Oppermann, institui\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m rejeitou o Future-se, diz que o MEC n\u00e3o pode apresentar um planejamento estrat\u00e9gico \u00fanico para institui\u00e7\u00f5es de perfis t\u00e3o diferentes. \u201cH\u00e1 universidades com 100&nbsp;anos, outras jovens, o plano de gest\u00e3o tem de ser feito com autonomia, cada uma tem que resolver como vai administrar seus recursos, quais as fontes que deve procurar, qual o perfil de cursos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O Conselho Universit\u00e1rio da UFABC aprovou &nbsp;uma &#8220;mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio&#8221; ao programa. \u201cO projeto resultaria na fragiliza\u00e7\u00e3o dos mecanismos de governan\u00e7a e financiamento existentes, que s\u00e3o preceito constitucional e elementos basilares do que \u00e9 uma universidade nos dias atuais\u201d, disse o reitor D\u00e1cio Matheus.<\/p>\n<p>As universidades enfrentam atualmente o contingenciamento de 30% de seus or\u00e7amentos e cortes expressivos em bolsas para mestrado e doutorado. Al\u00e9m disso, a rela\u00e7\u00e3o das federais com Weintraub est\u00e1 estremecida desde que assumiu o cargo, por causa das declara\u00e7\u00f5es do ministro. Entre outras, j\u00e1 disse considerar que h\u00e1 \u201cbalb\u00fardia\u201d nas institui\u00e7\u00f5es e que elas recebem dinheiro demais para fazer pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<em>Renata Cafardo e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento foi feito pelo &#8216;Estado&#8217; em consultas \u00e0s 63 institui\u00e7\u00f5es; principal temor \u00e9 poss\u00edvel perda da autonomia acad\u00eamica e financeira, uma vez que os contratos de trabalho ou para pesquisas seriam fechados por meio de OSs A maioria das&nbsp;universidades federais&nbsp;j\u00e1 decidiu n\u00e3o aderir ao&nbsp;Future-se&nbsp;ou manifestou cr\u00edticas ao programa do&nbsp;Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), lan\u00e7ado em julho. 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