{"id":3394,"date":"2018-02-06T09:08:41","date_gmt":"2018-02-06T11:08:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufla.org.br\/site\/?p=3394"},"modified":"2021-03-22T22:46:58","modified_gmt":"2021-03-23T01:46:58","slug":"so-instituicoes-publicas-fazem-pesquisa-no-brasil-afirma-organizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/noticias\/so-instituicoes-publicas-fazem-pesquisa-no-brasil-afirma-organizacao\/","title":{"rendered":"S\u00f3 institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas fazem pesquisa no Brasil, afirma organiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) divulgou, no dia 17, relat\u00f3rio produzido pela empresa estadunidense Clarivate Analytics \u2013 ligada \u00e0 multinacional Thomson Reuters &#8211; sobre a pesquisa cient\u00edfica no Brasil entre 2011 e 2016. Destacam-se no relat\u00f3rio tr\u00eas conclus\u00f5es: praticamente s\u00f3 h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o de pesquisa cient\u00edfica em universidades p\u00fablicas, h\u00e1 pouco impacto internacional na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira e apenas Petrobras e ind\u00fastrias farmac\u00eauticas realizam investimento relevante nessa \u00e1rea no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Epit\u00e1cio Mac\u00e1rio, 3\u00ba tesoureiro e um dos coordenadores do Grupo de Trabalho de Ci\u00eancia e Tecnologia (GTCT) do ANDES-SN, ressalta que as pol\u00edticas de ajuste fiscal do governo brasileiro v\u00e3o na contram\u00e3o da pesquisa cient\u00edfica de qualidade. \u201cA predomin\u00e2ncia absoluta das universidades p\u00fablicas na produ\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia (C&amp;T) no Brasil deveria implicar em maior investimento no setor e n\u00e3o no corte de or\u00e7amento, que \u00e9 o que vem fazendo os \u00faltimos governos. \u00c9 tamb\u00e9m um dos fatores ligados ao custo das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que procuram manter o trip\u00e9 ensino, pesquisa e extens\u00e3o. Nas institui\u00e7\u00f5es privadas o que se tem \u00e9 apenas ensino, muitas vezes de qualidade duvidosa. Mais um motivo para enfrentar o falacioso relat\u00f3rio do Banco Mundial, que defende a diminui\u00e7\u00e3o de investimentos estatais e o aprofundamento da privatiza\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas brasileiras\u201d, afirma, ressaltando a import\u00e2ncia do regime de trabalho de Dedica\u00e7\u00e3o Exclusiva como fundamental para que os docentes possam desenvolver com qualidade o trip\u00e9 ensino, pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Impacto internacional<\/strong><\/p>\n<p>Quantitativamente, o Brasil produziu nesse per\u00edodo cerca de 250 mil papers que foram enviados \u00e0 base de dados internacional Web of Science, n\u00fameros pr\u00f3ximos \u00e0 Holanda (242 mil), mas muito inferiores a pa\u00edses como EUA (2,5 milh\u00f5es), China (1,4 milh\u00e3o) e Reino Unido (740 mil).<\/p>\n<p>Epit\u00e1cio Mac\u00e1rio pondera sobre o car\u00e1ter gerencialista de uma avalia\u00e7\u00e3o baseada somente no n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es. \u201cA avalia\u00e7\u00e3o baseada somente no n\u00famero de papers publicados internacionalmente \u00e9 insatisfat\u00f3ria, faz parte de um modelo gerencialista que se tenta impor sobre as universidades p\u00fablicas e \u00e9 caudat\u00e1ria da depend\u00eancia t\u00e9cnica, cient\u00edfica e cultural de pa\u00edses latino-americanos. A relev\u00e2ncia social do conhecimento produzido fica \u00e0s escondidas, enquanto \u00e9 real\u00e7ada apenas a quantidade de papers\u201d, comenta o docente.<\/p>\n<p>O Caderno 28 do ANDES-SN, que trata de Ci\u00eancia e Tecnologia, tamb\u00e9m traz uma an\u00e1lise sobre o tema. \u201cO modelo gerencialista de universidade imp\u00f5e o produtivismo como instrumento e utiliza crit\u00e9rios como: n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es em l\u00edngua estrangeira, n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es etc. Esse conjunto de exig\u00eancias e crit\u00e9rios \u00e9 referendado pela Capes\/CNPq, que, por sua vez, est\u00e3o alinhados com as pol\u00edticas do MEC e do MCTIC. Esses crit\u00e9rios resultam no enfraquecimento da diversidade da produ\u00e7\u00e3o e veicula\u00e7\u00e3o do conhecimento em todas as \u00e1reas. Tal modelo inviabiliza o desenvolvimento de uma cultura acad\u00eamico cientifica brasileira. Isso fica evidente, por exemplo, na desqualifica\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos nacionais rotulados como irrelevantes. Assim, independente da fun\u00e7\u00e3o social, h\u00e1 uma gama de conhecimento que \u00e9 produzido e n\u00e3o \u00e9 valorizado\u201d, afirma o Sindicato Nacional na\u00a0<a class=\"red-bold\" href=\"http:\/\/portal.andes.org.br\/imprensa\/documentos\/imp-doc-186083876.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publica\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Quanto ao impacto da produ\u00e7\u00e3o, que a Clarivate Analytics considera ser a cita\u00e7\u00e3o da pesquisa em pesquisa posterior, o Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia mundial e abaixo de outros pa\u00edses perif\u00e9ricos, como Argentina, M\u00e9xico e \u00c1frica do Sul. Mesmo produzindo mais em quantidade, o Brasil tem \u00edndice de impacto (0,78) inferior ao mexicano (0,82) e ao argentino (0,92).<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00edndice considera o quanto um paper \u00e9 citado por outras pesquisas, deixando no escuro medidas de impacto social do conhecimento produzido. O ANDES-SN preconiza uma avalia\u00e7\u00e3o centrada, fundamentalmente, na relev\u00e2ncia das pesquisas para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas da maioria da sociedade. O car\u00e1ter social da ci\u00eancia \u00e9 real\u00e7ado na proposta do ANDES-SN\u201d, comenta Mac\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entre as 30 universidades do mundo com maior impacto de pesquisa n\u00e3o h\u00e1 nenhuma brasileira, e apenas uma argentina: a Universidade de Buenos Aires. Todas as demais s\u00e3o ou europeias, ou da Am\u00e9rica do Norte ou da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 de se estranhar porque os pa\u00edses de capitalismo central desfrutam de amplas e melhores condi\u00e7\u00f5es nos seus sistemas de produ\u00e7\u00e3o de C&amp;T, inclusive com importante participa\u00e7\u00e3o das empresas no financiamento. O lugar ocupado pelos pa\u00edses perif\u00e9ricos e semiperif\u00e9ricos na divis\u00e3o internacional do trabalho condiciona seu fraco desempenho no desenvolvimento de novos conhecimentos no plano mundial. O Caderno 28 do ANDES-SN demonstra que enquanto o Brasil investia em pesquisa e desenvolvimento algo em torno de 1,28% do seu PIB em 2015, os Estados Unidos investiam 2,79%, a Alemanha 2,93%, o Jap\u00e3o 3,29% e a Coreia do Sul 4,23%\u201d, afirma o coordenador do GTCT do ANDES-SN.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 universidades p\u00fablicas produzem no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio demonstra que praticamente n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em institui\u00e7\u00f5es privadas no Brasil. Entre as 20 institui\u00e7\u00f5es que mais produziram papers e que mais tiveram impacto est\u00e3o 15 universidades federais e 5 universidades estaduais. A Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), estadual, lidera a produ\u00e7\u00e3o quantitativa, enquanto a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tamb\u00e9m estadual, \u00e9 a qual cuja produ\u00e7\u00e3o tem maior impacto. O relat\u00f3rio mostra que as universidades p\u00fablicas produzem artigos cient\u00edficos altamente citados e que alcan\u00e7aram boas taxas entre 1% dos papers mais citados do mundo. (Confira gr\u00e1fico)<\/p>\n<p>\u201cO protagonismo das universidades p\u00fablicas na produ\u00e7\u00e3o de C&amp;T deveria ser fortalecido, mas a Lei da Inova\u00e7\u00e3o (10.973\/04) e o Marco Legal de CTI (13.243\/16) defendem \u00e9 o compartilhamento da infraestrutura existente, do pessoal e do patrim\u00f4nio cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico desenvolvido pelas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas com as empresas privadas\u201d, critica o docente.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o por unidade federativa, o relat\u00f3rio deixa expl\u00edcita a diferen\u00e7a regional na ci\u00eancia. Os estados do sul e do sudeste dominam a produ\u00e7\u00e3o, tanto quantitativa quanto qualitativa, e o primeiro estado do nordeste a aparecer no ranking quantitativo \u00e9 Pernambuco, em s\u00e9timo lugar. \u201c\u00c9 a forma da lei do desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo se materializar dentro do pa\u00eds. De um lado, a inferioridade do Brasil em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses centrais condicionada em grande medida por uma economia assentada na produ\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios, e, por outro, a infinita superioridade do Sudeste que expressa as desigualdades regionais brasileiras\u201d, completa Mac\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Investimento privado<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio lista o investimento privado na pesquisa brasileira. Al\u00e9m da Petrobras, empresa estatal de economia mista, praticamente apenas ind\u00fastrias farmac\u00eauticas investem dinheiro na ci\u00eancia brasileira, como Roche, Pfizer, Bayer e Johnson &amp; Johnson. H\u00e1, ainda, pequeno investimento da IBM (tecnologia) e AT&amp;T (telecomunica\u00e7\u00f5es). Os \u00edndices de participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na pesquisa cient\u00edfica brasileira (0,99%) s\u00e3o bastante inferiores aos de pa\u00edses como Fran\u00e7a, Alemanha, Argentina, Jap\u00e3o e Canad\u00e1 (que v\u00e3o de 3,5% a 2,2%), e se assemelham aos da \u00cdndia (0,69%) e da R\u00fassia (0,69%).<\/p>\n<p>\u201cO protagonismo das empresas em Pesquisa e Desenvolvimento est\u00e1 ligado \u00e0s caracter\u00edsticas da forma\u00e7\u00e3o do mercado interno. No caso brasileiro, as empresas est\u00e3o muito mais interessadas na for\u00e7a de trabalho, nas mat\u00e9rias primas e recursos naturais adquiridos a pre\u00e7os muito baixos. Quando necessitam inovar, compram m\u00e1quinas, equipamentos e insumos no mercado internacional, retroalimentando a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica e cient\u00edfica. Coube ao Estado o maior esfor\u00e7o de investimento em C&amp;T e pesquisa e desenvolvimento at\u00e9 aqui\u201d, conclui Epit\u00e1cio Mac\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180124_grafico_pesquisa1-pesquisa-univesidade-pc3bablica-1.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3395\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180124_grafico_pesquisa1-pesquisa-univesidade-pc3bablica-1.jpg?resize=800%2C578\" alt=\"20180124_grafico_pesquisa1-pesquisa-univesidade-pc3bablica (1)\" width=\"800\" height=\"578\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180124_grafico_pesquisa1-pesquisa-univesidade-pc3bablica-1.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180124_grafico_pesquisa1-pesquisa-univesidade-pc3bablica-1.jpg?resize=300%2C217&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180124_grafico_pesquisa1-pesquisa-univesidade-pc3bablica-1.jpg?resize=768%2C555&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) divulgou, no dia 17, relat\u00f3rio produzido pela empresa estadunidense Clarivate Analytics \u2013 ligada \u00e0 multinacional Thomson Reuters &#8211; sobre a pesquisa cient\u00edfica no Brasil entre 2011 e 2016. Destacam-se no relat\u00f3rio tr\u00eas conclus\u00f5es: praticamente s\u00f3 h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o de pesquisa cient\u00edfica em universidades p\u00fablicas, h\u00e1 pouco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3396,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3394","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":{"isJornal":null,"pdf_do_jornal":null},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/adufla.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/usp-pesquisa-848x395-1.jpg?fit=848%2C395&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3394"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3394\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6913,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3394\/revisions\/6913"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}