{"id":32309,"date":"2026-08-20T12:33:48","date_gmt":"2026-08-20T15:33:48","guid":{"rendered":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/?p=32309"},"modified":"2026-08-20T12:33:52","modified_gmt":"2026-08-20T15:33:52","slug":"andes-sn-45-anos-a-historica-alianca-entre-docentes-e-estudantes-em-defesa-da-educacao-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/noticias\/andes-sn-45-anos-a-historica-alianca-entre-docentes-e-estudantes-em-defesa-da-educacao-publica\/","title":{"rendered":"ANDES-SN 45 anos: a hist\u00f3rica alian\u00e7a entre docentes e estudantes em defesa da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>No calend\u00e1rio das lutas sociais do Brasil, o m\u00eas de agosto traz a celebra\u00e7\u00e3o do Dia do e da Estudante, em 11 de agosto. Mais do que uma efem\u00e9ride festiva, a data corresponde \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos primeiros cursos superiores do Brasil, ao anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE). Por isso, no marco das comemora\u00e7\u00f5es dos 45 anos do ANDES-SN, a reportagem especial de agosto resgata a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre o movimento estudantil e o movimento sindical docente.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com registros do ANDES-SN, essa trajet\u00f3ria m\u00fatua consolidou-se desde o per\u00edodo da ditadura empresarial-militar, quando as a\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o docente e estudantil come\u00e7aram a se unificar para fazer frente ao autoritarismo e \u00e0 viol\u00eancia governamental e ao esmagamento das liberdades constitucionais. A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) nasceu sob o peso do regime ditatorial. Conforme o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.andes.org.br\/diretorios\/files\/renata\/2026\/05\/18%C2%B0%20CADERNO.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caderno 18 da entidade<\/a>, j\u00e1 na hist\u00f3rica primeira greve nacional docente, em 1980, e nas mobiliza\u00e7\u00f5es subsequentes de 1981, que levaram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Andes, o movimento estudantil esteve lado a lado do movimento docente, demonstrando que a luta por condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho estava umbilicalmente ligada ao direito de acesso democr\u00e1tico ao ensino superior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAlguns dos representantes ou associados de Ads, que l\u00e1 se encontravam para apresentar trabalhos cient\u00edficos, traziam, na bagagem, o patrim\u00f4nio pol\u00edtico forjado nas lutas do movimento estudantil (ME), o qual, tradicionalmente, constitui a escola formadora e a origem de quadros dirigentes para as mais diversas atividades sociais. Esse era o nosso caso, Valmir Martins e eu, que participamos da reuni\u00e3o e nos propusemos a levar suas conclus\u00f5es aos docentes da UFSC\u201d, contou, no Caderno 18, Osvaldo de Oliveira Maciel, 1\u00ba presidente do ANDES-SN, sobre a primeira reuni\u00e3o que culminou na cria\u00e7\u00e3o da entidade. A fala exemplifica a relev\u00e2ncia que o movimento estudantil teve (e ainda tem), inclusive para a forma\u00e7\u00e3o de quadros do movimento sindical docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa unidade t\u00e1tica consolidou-se nas ruas durante a campanha das Diretas J\u00e1, em 1984, quando as bandeiras estudantis e docentes se fundiram na exig\u00eancia da redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Docentes e estudantes tamb\u00e9m atuaram em conjunto na constru\u00e7\u00e3o das propostas educacionais para a Constituinte de 1988 e na elabora\u00e7\u00e3o das diretrizes para a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB). Da mesma forma, lutaram para exigir o impeachment do presidente Fernando Collor e o fim das pol\u00edticas de desmonte do Estado, em 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es docentes, no auge do avan\u00e7o neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), tamb\u00e9m contaram com apoio do movimento estudantil. Da mesma forma, a unidade de a\u00e7\u00e3o entre professoras, professores e estudantes se fez presente durante os governos de concilia\u00e7\u00e3o de classe da esquerda, na luta por 10% do PIB para a Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, contra a reforma do Ensino M\u00e9dio (2016) e contra a reforma da Previd\u00eancia (2017) e na defesa das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino e de sua autonomia durante o governo Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.andes.org.br\/diretorios\/images\/renata\/2026\/19\/atomaio2019.JPG\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ato Tsunami da Educa\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, em maio de 2019. Foto: Bruna Yunes \/ Imprensa ANDES-SN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Forjado na luta<\/strong><br>A hist\u00f3ria de lutas coletivas atravessa e molda trajet\u00f3rias individuais, como a do professor Rodrigo da Silva Pereira, hoje docente na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nascido na periferia de S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), sua consci\u00eancia pol\u00edtica despertou ainda na milit\u00e2ncia estudantil secundarista. \u201cEu era um menino da periferia de S\u00e3o Bernardo, muito indignado com as coisas que aconteciam, com a pobreza generalizada e sempre fui uma pessoa que queria fazer alguma coisa para mudar a situa\u00e7\u00e3o, primeiro da minha fam\u00edlia. Mas eu encontrei no movimento social essa possibilidade de mudan\u00e7a coletiva. E foi no movimento estudantil que eu vi isso. Eu participei do gr\u00eamio da minha escola e participei do movimento estudantil no ensino m\u00e9dio, 96, 97, na Uni\u00e3o Municipal de Estudantes Secundaristas de S\u00e3o Bernardo e, a partir da\u00ed, comecei a militar, n\u00e3o s\u00f3 na cidade, mas tamb\u00e9m no estado, e acompanhar o movimento estudantil nacional\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do ano 2000, j\u00e1 enquanto estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais, na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 (FSA), ele aprofundou a atua\u00e7\u00e3o militante. Segundo Pereira, a Funda\u00e7\u00e3o era uma universidade municipal, mas que tinha uma perspectiva regional e que, por muito tempo, foi financiada pelas prefeituras e por entidades do movimento social. \u201cEla tinha um perfil de acolher os filhos e as filhas dos trabalhadores da regi\u00e3o. Era subsidiada, ent\u00e3o era uma universidade de baixo custo, uma funda\u00e7\u00e3o municipal que depois se transformou num centro universit\u00e1rio\u201d, acrescenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, na \u00e9poca, n\u00e3o havia universidade p\u00fablica no ABC Paulista, s\u00f3 na capital S\u00e3o Paulo. \u201cHavia uma grande luta pela federaliza\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9. Ela n\u00e3o foi federalizada, mas acabou que essas lutas deram origem \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal e que, enfim, impulsionou a cria\u00e7\u00e3o da UFABC\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>O docente lembra que, no ano em que ingressou na FSA (2000), aconteceu uma greve das universidades federais. \u201cA gente n\u00e3o era uma Federal, mas como a gente participava do movimento nacional, come\u00e7amos a contribuir para os debates da greve. E da\u00ed veio a primeira contribui\u00e7\u00e3o do ANDES-SN na minha milit\u00e2ncia. O ANDES-SN lutava pela recomposi\u00e7\u00e3o salarial dos professores, al\u00e9m de um projeto de universidade onde a interioriza\u00e7\u00e3o das universidades federais estava na pauta. Ent\u00e3o, vimos na greve um instrumento que poderia ajudar no processo de federaliza\u00e7\u00e3o\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.andes.org.br\/diretorios\/images\/renata\/2026\/19\/rodrigo.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rodrigo Pereira durante o 44\u00ba Congresso do ANDES-SN. Foto: Eline Luz \/ Imprensa ANDES-SN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Rodrigo destaca que, em 2000, os movimentos estavam no auge do enfrentamento com o governo FHC, contra a proposta de reforma do Estado brasileiro que buscava tamb\u00e9m transformar a universidade p\u00fablica. J\u00e1 em 2001, ele passou a integrar o bloco &#8220;Rompendo Amarras&#8221;, oposi\u00e7\u00e3o de esquerda da UNE, e ajudou a construir a greve de 2001 nas universidades federais. Essa foi uma das maiores paralisa\u00e7\u00f5es do movimento docente, que contou com um apoio important\u00edssimo do movimento estudantil, sobretudo do bloco de oposi\u00e7\u00e3o da UNE.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA nossa participa\u00e7\u00e3o foi muito importante. A gente promovia v\u00e1rias atividades com o ANDES-SN. O comando de greve durou 120 dias. A gente tinha um comando de greve dos estudantes e tinha o comando de greve do pr\u00f3prio ANDES-SN, que fazia um conjunto de atividades. A nossa rela\u00e7\u00e3o [do movimento estudantil] com o ANDES-SN, na realidade, se estreitou a\u00ed, sobretudo nos debates do GTPE [Grupo de Trabalho de Pol\u00edtica Educacional], que tinha uma contribui\u00e7\u00e3o muito grande, a partir do Caderno 2 do ANDES-SN, que nos ajudava a pensar a pol\u00edtica educacional\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os anos de 2003 e 2005, Pereira ocupou a diretoria de Pol\u00edticas Educacionais da UNE, em um per\u00edodo de profundas contradi\u00e7\u00f5es durante os anos iniciais do primeiro governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. \u00c0 \u00e9poca, sob a gest\u00e3o do ministro Tarso Genro no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, o governo federal lan\u00e7ou a proposta do programa ProUni, gerando um debate tenso e divergente nas entidades do Setor da Educa\u00e7\u00e3o. Enquanto a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da UNE apoiava a medida, o GTPE do ANDES-SN liderou, em parceria com a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda estudantil, uma profunda e rigorosa cr\u00edtica ao projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>O docente lembra que, durante esse per\u00edodo, travou debates memor\u00e1veis contra a implementa\u00e7\u00e3o do programa ProUni, criticando o direcionamento de recursos p\u00fablicos para o setor privado, definindo o programa que garantia vagas remanescentes em institui\u00e7\u00f5es particulares como a oferta de &#8220;vagas pobres para estudantes pobres&#8221;. Ele defendia, assim como o ANDES-SN, a expans\u00e3o imediata de vagas p\u00fablicas, gratuitas e de qualidade para a classe trabalhadora. \u201cO ANDES-SN, para mim, ele sempre foi uma refer\u00eancia na discuss\u00e3o do projeto de universidade\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo conta que a influ\u00eancia foi tanta que, ao retornar \u00e0 FSA em 2006, ap\u00f3s dois anos afastado para atuar no movimento estudantil nacional, escolheu fazer seu trabalho de conclus\u00e3o de curso (TCC) sobre o tema da pol\u00edtica de financiamento da educa\u00e7\u00e3o, com o ac\u00famulo que aprendeu com o ANDES-SN e com a atua\u00e7\u00e3o no movimento estudantil. Depois, fez mestrado e doutorado na Educa\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea de Pol\u00edtica Educacional. E hoje \u00e9 professor da cadeira de Pol\u00edtica Educacional na UFBA e coordena o grupo de trabalho de pesquisadores da \u00e1rea de Pol\u00edtica Educacional no Brasil, o GT5 de Estado e Pol\u00edtica Educacional da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o (Anped).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu diria que a minha trajet\u00f3ria, o professor que eu sou hoje, o professor pesquisador militante da base do ANDES-SN, tem a ver com as contribui\u00e7\u00f5es que o Sindicato Nacional deu na minha forma\u00e7\u00e3o e na minha milit\u00e2ncia\u201d, avalia. \u201cHoje, eu entendo que h\u00e1 um conjunto de, digamos assim, projetos diferentes para o ANDES-SN, que disputam o sindicato, que s\u00e3o projetos leg\u00edtimos, mas o meu compromisso com o ANDES-SN tem a ver com o que ele foi, historicamente, e o que ele \u00e9 no presente\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.andes.org.br\/diretorios\/images\/renata\/2026\/19\/rodrigo04.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rodrigo integra o Coletivo Democracia e Luta da UFBA &#8211; oposi\u00e7\u00e3o sindical que luta em defesa do ANDES-SN na universidade. Foto: Eline Luz \/ Imprensa ANDES-SN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O docente destaca a rela\u00e7\u00e3o que a entidade estabelece com o movimento estudantil, n\u00e3o sob uma perspectiva de superioridade, como \u00e9 traduzido muitas das vezes na academia na rela\u00e7\u00e3o professor\/estudante, mas numa perspectiva de companheirismo, do ponto de vista da forma\u00e7\u00e3o, assim como do apoio estrutural \u00e0 luta do movimento estudantil. \u201c\u00c9 o que me faz entender que o ANDES-SN \u00e9 um sindicato muito importante, n\u00e3o s\u00f3 para mim como docente, n\u00e3o s\u00f3 para as universidades, do ponto de vista da sua estrutura, mas tamb\u00e9m para um projeto de futuro\u201d, acrescenta, afirmando que n\u00e3o se v\u00ea militando em outro espa\u00e7o sindical que n\u00e3o o ANDES-SN.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Unidade na luta contra a extrema direita<\/strong><br>Questionado sobre como v\u00ea o movimento estudantil, agora na posi\u00e7\u00e3o de professor e base do movimento sindical docente, Pereira ressalta que a conjuntura mudou muito da \u00e9poca em que era estudante. \u201cH\u00e1 um avan\u00e7o da extrema direita no Brasil e no mundo, e as entidades tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas, lineares. O ANDES-SN mudou e a UNE tamb\u00e9m mudou. E a conjuntura nos exige unidade, mesmo que seja unidade t\u00e1tica, para enfrentar um inimigo maior que \u00e9 a extrema direita. Eu acho que tanto o ANDES-SN quanto a UNE t\u00eam dado demonstra\u00e7\u00f5es muito importantes de unidade na diversidade\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor da UFBA destaca que os movimentos seguem com pautas em comum, como a defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, das universidades, da ci\u00eancia e da tecnologia, da valoriza\u00e7\u00e3o docente e da perman\u00eancia estudantil. \u201cIsso nunca ficou de fora das pautas do movimento estudantil e da UNE, assim como da pauta do ANDES-SN. Ocorre que, nesse momento, essa unidade \u00e9 mais necess\u00e1ria ainda, porque a extrema direita amea\u00e7a o conjunto dessas conquistas, sejam elas docentes ou do movimento estudantil\u201d, reflete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A alian\u00e7a forjada no cotidiano das mobiliza\u00e7\u00f5es em defesa da educa\u00e7\u00e3o e da universidade p\u00fablica, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada, demonstra que as conquistas da educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o foram concess\u00f5es do Estado, mas frutos de lutas unificadas que atravessam d\u00e9cadas de resist\u00eancia. Para Rodrigo, duas quest\u00f5es s\u00e3o fundamentais e devem continuar na ordem do dia para ambos os movimentos, sobretudo com o avan\u00e7o da extrema direita: a defesa intransigente da pol\u00edtica de cotas nas universidades p\u00fablicas &#8211; na forma\u00e7\u00e3o de estudantes e nos concursos p\u00fablicos&nbsp; &#8211; e a recomposi\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria das institui\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pol\u00edtica de cotas \u00e9 uma conquista n\u00e3o s\u00f3 do movimento negro, mas da sociedade brasileira, tanto para ingresso quanto para perman\u00eancia nas universidades. Depois que a extrema direita avan\u00e7ou, proliferaram os casos de contesta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas, dos resultados dos concursos p\u00fablicos para ingresso docente. Tamb\u00e9m h\u00e1 in\u00fameros processos contra a lei de cotas no ingresso a cursos considerados de elite, medicina, direito, entre outros. Ent\u00e3o, a defesa intransigente da pol\u00edtica de cotas para o acesso dos estudantes e dos professores, e tamb\u00e9m da perman\u00eancia dos estudantes, \u00e9 fundamental porque, se a gente for pensar do ponto de vista do racismo estrutural, o estudante precisa entrar na universidade, mas ele precisa permanecer. E a perman\u00eancia n\u00e3o tem a ver s\u00f3 com o financiamento, ele precisa se ver reconhecido na universidade. [&#8230;] Faz parte da perman\u00eancia estudantil tamb\u00e9m ter professores e professoras negras na universidade\u201d, detalha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.andes.org.br\/diretorios\/images\/renata\/2026\/19\/rodrigo05.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rodrigo Pereira durante o 44\u00ba Congresso do ANDES-SN. Foto: Eline Luz \/ Imprensa ANDES-SN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro ponto fundamental, conforme Rodrigo, \u00e9 a recomposi\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento das universidades, pauta hist\u00f3rica de docentes e estudantes. O professor da UFBA lembra que h\u00e1 uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) tramitando no Congresso Nacional, a PEC 96\/2019, que retira a Educa\u00e7\u00e3o do processo de contingenciamento de recursos da Uni\u00e3o.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.andes.org.br\/conteudos\/noticia\/cCJC-da-camara-aprova-admissibilidade-da-pEC-96-que-proibe-cortes-no-orcamento-aprovado-para-educacao1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A PEC j\u00e1 foi aprovada na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania (CCJC) da C\u00e2mara em 2022, mas est\u00e1 parada desde ent\u00e3o.<\/a>&nbsp;O texto ainda precisa ser apreciado e votado em dois turnos nos Plen\u00e1rios da C\u00e2mara e do Senado. Para ele, \u00e9 fundamental retomar a luta pela aprova\u00e7\u00e3o desta proposta e pela recomposi\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria das institui\u00e7\u00f5es federais de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o deveria haver contingenciamento de recursos, e \u00e9 fundamental a recomposi\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos das universidades. As universidades n\u00e3o podem viver de emenda pix, porque, sen\u00e3o, elas vivem com o pires na m\u00e3o diante de um&nbsp; Congresso Nacionalconservador. Direcionar o or\u00e7amento das universidades, um setor estrat\u00e9gico do servi\u00e7o p\u00fablico brasileiro, para as m\u00e3os desse Congresso Nacional \u00e9 um elemento temer\u00e1rio. Por isso, acho que a luta do pr\u00f3ximo per\u00edodo precisa estar centrada nesses dois pontos: a recomposi\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos da universidade e a luta pela manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas, para o ingresso e a perman\u00eancia de estudantes e&nbsp; de professores e professoras\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No calend\u00e1rio das lutas sociais do Brasil, o m\u00eas de agosto traz a celebra\u00e7\u00e3o do Dia do e da Estudante, em 11 de agosto. 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