{"id":32110,"date":"2026-06-15T13:06:15","date_gmt":"2026-06-15T16:06:15","guid":{"rendered":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/?p=32110"},"modified":"2026-06-15T13:06:17","modified_gmt":"2026-06-15T16:06:17","slug":"andes-sn-divulga-resultado-de-enquete-sobre-condicoes-de-trabalho-e-saude-docente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/noticias\/andes-sn-divulga-resultado-de-enquete-sobre-condicoes-de-trabalho-e-saude-docente\/","title":{"rendered":"ANDES-SN divulga resultado de enquete sobre condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade docente"},"content":{"rendered":"\n<p>O ANDES-SN disponibilizou o relat\u00f3rio consolidado da Enquete Nacional sobre Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho e Sa\u00fade Docente. O documento foi apresentado no dia 29 de maio, durante a reuni\u00e3o do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), realizada na sede do Sindicato Nacional, em Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a participa\u00e7\u00e3o de 3.591 docentes da ativa e 256 aposentadas e aposentados de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, a segunda etapa do levantamento foi realizado entre 2024 e 2025. A primeira etapa, aplicada em 2023, contou com a participa\u00e7\u00e3o de 1.874 docentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirada na &#8220;Enquete Oper\u00e1ria&#8221;, elaborada por Karl Marx, a iniciativa buscou estimular um processo de reflex\u00e3o coletiva sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sa\u00fade da categoria, evidenciando o aprofundamento da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente, especialmente ap\u00f3s a pandemia de Covid-19, al\u00e9m de subsidiar a atua\u00e7\u00e3o sindical na defesa de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as e os docentes ativos, predominam mulheres cisg\u00eaneras (53,9%) e pessoas brancas (65,8%). Al\u00e9m disso, 89,5% possuem doutorado, 96,2% t\u00eam v\u00ednculo efetivo e 91,8% atuam em regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. A maioria (63,4%) trabalha em institui\u00e7\u00f5es federais e exerce atividades principalmente na gradua\u00e7\u00e3o, embora mais da metade tamb\u00e9m atue em outros n\u00edveis de ensino. Entre as aposentadas e os aposentados, o perfil \u00e9 semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong><br>Os resultados revelam uma intensifica\u00e7\u00e3o estrutural do trabalho docente. Cerca de 67,3% das e dos participantes afirmaram que houve aumento das atividades desempenhadas em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia. Al\u00e9m disso, 75,4% relataram trabalhar al\u00e9m da carga hor\u00e1ria prevista em seus regimes de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A enquete tamb\u00e9m evidenciou o crescente avan\u00e7o do trabalho sobre o tempo livre, com atividades profissionais sendo realizadas regularmente aos finais de semana e feriados. Como consequ\u00eancia, 83,1% das e dos docentes ativos afirmaram sentirem-se sobrecarregados, condi\u00e7\u00e3o associada \u00e0 press\u00e3o por produtividade, ao uso intensivo de tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 dificuldade de estabelecer limites entre a vida profissional e pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jacqueline Lima, 1\u00aa secret\u00e1ria do ANDES-SN e da coordena\u00e7\u00e3o do GTSSA, os resultados apontam uma mudan\u00e7a estrutural no padr\u00e3o de trabalho docente ap\u00f3s a pandemia. \u201cA percep\u00e7\u00e3o dos docentes sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho ap\u00f3s a pandemia indica que houve uma mudan\u00e7a do padr\u00e3o de trabalho. Coletivamente, os docentes est\u00e3o submetidos a uma exig\u00eancia maior de trabalho, inclusive para al\u00e9m do hor\u00e1rio, envolvendo finais de semana e feriados\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hiperconectividade<\/strong><br>O relat\u00f3rio apontou que a utiliza\u00e7\u00e3o intensiva de aplicativos de mensagens, e-mails e plataformas digitais para resolver demandas de trabalho fora do expediente se tornou uma caracter\u00edstica permanente da atividade docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as e os respondentes, 89,3% relataram utilizar diariamente aplicativos de mensagens para fins profissionais, enquanto 81,8% afirmaram resolver demandas de trabalho frequentemente (37,9%) ou sempre (43,9%) fora do hor\u00e1rio regular.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jacqueline Lima, a enquete identificou uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a hiperconectividade e a piora das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. \u201cOs dados mostram que, quanto maior o uso de aplicativos, e-mails e sistemas online para resolver demandas de trabalho, pior tende a ser a avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos docentes. Esse grupo tamb\u00e9m relatou menos horas de sono e menor pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sa\u00fade e adoecimento<\/strong><br>Os impactos das condi\u00e7\u00f5es de trabalho refletem diretamente na sa\u00fade da categoria. Mais da metade das e dos docentes (51,8%) relataram uma piora das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade no \u00faltimo ano. Cerca de 52,5% afirmaram uma redu\u00e7\u00e3o das horas de sono e 41% disseram ter diminu\u00eddo a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>As doen\u00e7as musculoesquel\u00e9ticas (36,4%), que afetam ossos, m\u00fasculos, articula\u00e7\u00f5es, tend\u00f5es, ligamentos e coluna vertebral, e os transtornos de ansiedade (35,4%), como s\u00edndrome do p\u00e2nico e fobia social, apareceram entre os principais problemas de sa\u00fade identificados pela enquete.<\/p>\n\n\n\n<p>Para 67,8% das entrevistadas e dos entrevistados, o adoecimento est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho enfrentadas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento tamb\u00e9m registrou que raramente, algumas vezes, frequentemente ou sempre as e os participantes sofreram situa\u00e7\u00f5es ass\u00e9dio moral (60,9%), viol\u00eancia pol\u00edtica (54,1%) e machismo (47,4%) no cotidiano institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Descanso comprometido<\/strong><br>De acordo com a enquete, 68,6% das e dos docentes trabalham frequentemente ou sempre aos finais de semana, enquanto 57,5% mant\u00eam atividades laborais durante os feriados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente se tornou um problema coletivo, agravado pela amplia\u00e7\u00e3o das demandas para al\u00e9m da jornada regular e pelo uso de ferramentas digitais. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio construir estrat\u00e9gias de enfrentamento, no \u00e2mbito do ANDES-SN e das se\u00e7\u00f5es sindicais, incluindo o di\u00e1logo com as reitorias, para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e conter a sobrecarga da categoria\u201d, afirmou Jacqueline.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>G\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/strong><br>O estudo tamb\u00e9m revelou as desigualdades estruturais dentro da academia. Al\u00e9m de realizarem mais orienta\u00e7\u00f5es e coorienta\u00e7\u00f5es de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, as mulheres acumulam uma carga significativamente maior de trabalho dom\u00e9stico e de cuidados n\u00e3o remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>As docentes relataram maior sobrecarga no trabalho, registrando 88,1% frente a 77,2% dos homens. Elas tamb\u00e9m relataram, com mais frequ\u00eancia, dificuldades para cumprir as demandas de trabalho e que est\u00e3o mais expostas a diferentes formas de viol\u00eancia no ambiente laboral. O machismo \u00e9 apontado como uma presen\u00e7a constante (&#8220;sempre&#8221;) por 12,5% das professoras, ao mesmo tempo em que o \u00edndice entre os homens \u00e9 de apenas 1%. Outro dado preocupante \u00e9 que 22,5% das docentes afirmaram sofrer racismo nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jacqueline Lima, o g\u00eanero \u00e9 um aspecto fundamental para compreender as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da categoria e deve ser considerado na formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de enfrentamento e mobiliza\u00e7\u00e3o sindical. \u201cAs mulheres docentes enfrentam n\u00edveis mais elevados de sobrecarga, trabalham mais fora da jornada regular e relatam maior insufici\u00eancia de tempo\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento identificou maior incid\u00eancia de viol\u00eancia no ambiente de trabalho entre docentes LGBTI+. Entre as e os respondentes, 13,9% se identificaram LGBTI+, 2,6% preferiram n\u00e3o responder, 0,2% indicaram n\u00e3o saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados revelaram maior exposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o LGBTI+ a situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia no ambiente acad\u00eamico. Cerca de 63% das e dos respondentes afirmaram ter sofrido LGBTI+fobia, com predomin\u00e2ncia de 13% frequentemente e sempre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desvaloriza\u00e7\u00e3o Salarial<\/strong><br>O levantamento tamb\u00e9m apontou para dificuldades financeiras enfrentadas por parcela significativa da categoria. Quase 60% das e dos docentes ativos relataram ter recebido reajustes salariais abaixo da infla\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, em paralelo a 23,5% que afirmaram n\u00e3o ter recebido qualquer reajuste.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, 67,8% possuem algum tipo de d\u00edvida, e mais de um ter\u00e7o realiza atividades remuneradas adicionais para complementar a renda, evidenciando os impactos das perdas salariais e da desvaloriza\u00e7\u00e3o da carreira docente. Docentes pretos, pardos e ind\u00edgenas apresentaram \u00edndices mais elevados de endividamento 77,3%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aposentadas e aposentados<\/strong><br>Entre docentes aposentadas e aposentados, o relat\u00f3rio mostrou que persistem desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a relacionadas \u00e0 sa\u00fade e ao endividamento. As reformas da Previd\u00eancia e as mudan\u00e7as na carreira docente contribu\u00edram para o achatamento salarial e para a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida de parte significativa deste segmento da categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 39,1% das aposentadas e dos aposentados acreditavam que seu quadro de adoecimento possui rela\u00e7\u00e3o com o trabalho que exerciam. Al\u00e9m disso, 31,3% relataram redu\u00e7\u00e3o das horas de sono e da pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas no \u00faltimo ano.&nbsp;Por outro lado, o \u00edndice de sindicaliza\u00e7\u00e3o entre a categoria aposentada \u00e9 elevado, alcan\u00e7ando 91,4%. Entre as e os docentes ativos, esse percentual \u00e9 de 74,6%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultado<\/strong><br>Para o GTSSA, os dados refor\u00e7aram que o debate sobre sa\u00fade docente n\u00e3o pode ser tratado apenas como uma quest\u00e3o individual, mas deve ser compreendido a partir das condi\u00e7\u00f5es concretas de trabalho e das desigualdades que atravessam a categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSomos um sindicato classista, mas reconhecemos que existe uma interseccionalidade de g\u00eanero, ra\u00e7a e de gera\u00e7\u00e3o que precisa ser considerada quando planejamos estrat\u00e9gias de luta e enfrentamento. Quando lutamos por aposentadoria com integralidade e paridade, por melhoria salarial e valoriza\u00e7\u00e3o da carreira, estamos tamb\u00e9m lutando pela promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da qualidade de vida da categoria\u201d, ressaltou Jacqueline Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a diretora do ANDES-SN, os resultados da enquete devem subsidiar debates nas se\u00e7\u00f5es sindicais e fortalecer o di\u00e1logo com as administra\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. \u201c\u00c9 importante ampliar o di\u00e1logo das se\u00e7\u00f5es sindicais com as administra\u00e7\u00f5es das universidades a partir desses resultados, construindo estrat\u00e9gias coletivas de enfrentamento, mobiliza\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, concluiu.<br><br><a href=\"https:\/\/issuu.com\/andessn\/docs\/cartilha_enquete_saudedocente_final\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Confira aqui o material<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ANDES-SN disponibilizou o relat\u00f3rio consolidado da Enquete Nacional sobre Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho e Sa\u00fade Docente. 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