{"id":3101,"date":"2017-10-02T11:09:18","date_gmt":"2017-10-02T14:09:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adufla.org.br\/site\/?p=3101"},"modified":"2021-03-22T22:47:17","modified_gmt":"2021-03-23T01:47:17","slug":"adufla-deixou-sua-marca-no-movimento-docente-profo-ruy-carvalho-fala-da-participacao-da-adufla-nas-primeiras-greves-pos-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adufla.org.br\/site\/especial-50-anos\/adufla-deixou-sua-marca-no-movimento-docente-profo-ruy-carvalho-fala-da-participacao-da-adufla-nas-primeiras-greves-pos-1964\/","title":{"rendered":"ADUFLA deixou sua marca no movimento docente. Prof\u00ba Ruy Carvalho fala da participa\u00e7\u00e3o da ADUFLA nas primeiras greves p\u00f3s 1964"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\">O movimento docente nas institui\u00e7\u00f5es federais teve in\u00edcio em 1979 com a cria\u00e7\u00e3o da ANDES, que nasceu como Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Docentes do Ensino Superior antes se transformar em Sindicato Nacional. A entidade foi criada em pleno regime militar durante um congresso realizado em Piracicaba-SP, com a participa\u00e7\u00e3o efetiva da ASPESAL, representada pela saudosa professora Janice Carvalho. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Naquela \u00e9poca, existiam dois tipos de universidades federais no Brasil. Nas Fundacionais, como Vi\u00e7osa (MG) e Universidade de Bras\u00edlia (UNB), os docentes tinham reajustes salariais semestrais, enquanto nas Aut\u00e1rquicas, na qual se inclu\u00eda a ESAL, n\u00e3o havia reajuste salarial para os professores. Isso criava uma enorme disparidade dentro da categoria, com docentes chegando a ganhar menos da metade de outro colega de profiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A luta pela isonomia salarial nas federais no pa\u00eds foi uma das grandes motiva\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o da ANDES, al\u00e9m do combate \u00e0 Ditadura Militar, regime marcado pela falta de estado de direito e a proibi\u00e7\u00e3o de greve.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mesmo assim, a primeira paralisa\u00e7\u00e3o dos docentes em pleno Regime Militar insurgiu em 1980, um ano depois da cria\u00e7\u00e3o da ANDES, tendo como pauta principal a isonomia entre os docentes. O movimento n\u00e3o logrou \u00eaxito, apesar da haver uma mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, mas \u00e0 partir daquele momento a greve passou a fazer parte do calend\u00e1rio da ANDES como instrumento de luta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Testemunha ocular daquela \u00e9poca, o professor Ruy Carvalho lembra com detalhes o surgimento do movimento docente. Ingresso na ESAL em 1977, ele conta que j\u00e1 na greve seguinte \u00e0quela de 1980 a categoria conquistava sua primeira vit\u00f3ria. \u201cEm 1981 fizemos uma nova greve que resultou na queda do Ministro da Educa\u00e7\u00e3o Eduardo Portella, assumindo o General Rubem Ludwig, que recebeu a miss\u00e3o de resolver o problema das universidades. E por incr\u00edvel que pare\u00e7a, ele resolveu em parte. A isonomia salarial n\u00e3o veio, mas ele fez uma coisa melhor, transformou 50% de todos os professores de todas as universidades federais em funcion\u00e1rios p\u00fablicos sem concurso. Esses docentes eram at\u00e9 ent\u00e3o Professores Colaboradores, celetistas, com contrato renovado a cada ano, num modelo extremamente inst\u00e1vel porque se voc\u00ea brigasse com o chefe departamento, por exemplo, ele podia n\u00e3o renovar o seu contrato\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No caso da ESAL, dos 180 professores, 90 Professores Colaboradores passaram imediatamente para a chamada \u201cTabela Permanente\u201d, mesmo sem concurso, criando uma \u201ccategoria\u201d de servidores p\u00fablicos celetistas, n\u00e3o estatut\u00e1rios, com direito \u00e0 estabilidade, ou seja, com os mesmos direitos daqueles concursados \u00e0 \u00e9poca. Esse foi o primeiro ganho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Carreira Docente decorrente de uma greve p\u00f3s 1964. \u201cO governo aproveitou da situa\u00e7\u00e3o para tentar acabar com o Professor Colaborador e erradicar o d\u00e9fict p\u00fablico. Essa era a ordem. Tanto \u00e9 que o ent\u00e3o diretor da ESAL, professor Jair Vieira, foi a Bras\u00edlia para entregar a chaves da escola dizendo se tivesse que demitir 50% dos professores iria fechar institui\u00e7\u00e3o, num ato repetido por diversas universidades federais, o que culminou com a tal medida emergencial para resolver o problema\u201d, conta Ruy.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apesar do sucesso da greve de 1981, o problema da isonomia persistiu at\u00e9 1987, quando houve outra grande greve e finalmente foi feito a isonomia entre os professores das Universidades Aut\u00e1rquicas e das Fundacionais, resultado de todas as greves feitas a partir de 1980 para equalizar o problema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A partir de 1987, o movimento continuou forte, agora em busca de fazer valer um artigo da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 que passava todos os docentes para a categoria de Professor Estatut\u00e1rio (fim da CLT e estabilidade total), o que ocorreu no Governo de Fernando Collor de Melo, em dezembro de 1990, quando todos os professores das IFES passaram a ser Funcion\u00e1rios P\u00fablicos Estatut\u00e1rios. Isso foi outra grande conquista da categoria decorrente da mobiliza\u00e7\u00e3o nacional dos docentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1988, a ANDES passou de associa\u00e7\u00e3o para Sindicato Nacional dos Docentes (ANDES-SN), e a ASPESAL, que cresceu e se fortaleceu dentro do movimento docente, passou a atuar com prerrogativa sindical, at\u00e9 ser transformada efetivamente em ADUFLA Se\u00e7\u00e3o Sindical do ANDES-SN, em novembro de 2001. \u201cEu participei desse processo, pois fui presidente da entidade de 1988 a 2000 e participei de reuni\u00f5es em Bras\u00edlia para a convers\u00e3o da ASPESAL em ADUFLA, o que acabou sendo efetivado na gest\u00e3o do Professor Jos\u00e9 Tarc\u00edsio Lima, em 2001\u201d, lembra Ruy Carvalho.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento docente nas institui\u00e7\u00f5es federais teve in\u00edcio em 1979 com a cria\u00e7\u00e3o da ANDES, que nasceu como Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Docentes do Ensino Superior antes se transformar em Sindicato Nacional. 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